Desde ontem, agentes da Polícia Federal estão realizando paralisações por todo o Brasil. Os protestos que terminam hoje apontam que o órgão está sendo sucateado pelo Governo Federal em represália às ações anticorrupção realizadas pelos agentes. A delegacia da Polícia Federal mais próxima de Campo Mourão que fica em Maringá aderiu à paralisação. No local apenas os serviços agendados como a emissão de passaportes e o atendimento a estrangeiros não foram prejudicados.
O Sindicato que representa a categoria denuncia que a falta de investimentos cresceu após as operações que atingiram setores do governo. Em números, eles mostram que entre 2010 e 2013, o número de indiciados pela Polícia Federal no Paraná caiu de 6.114 para 2.983, uma diminuição de 51%. Os dados foram obtidos da base da própria PF, solicitados pela Lei de Acesso à Informação.
Eles explicam que todos os crimes cometidos e informados à polícia geram um inquérito policial. Para que esse inquérito sirva para o indiciamento dos acusados é necessário o trabalho de investigação. Sem dúvidas, toda a Sociedade quer a condenação dos criminosos e o fim da impunidade. Portanto, a mera estatística de inquéritos instaurados, na verdade, é simplesmente um indicador da quantidade de crimes cometidos, e não um indicador de eficiência, diz trecho da nota divulgada pelo sindicato dos policiais federais no Estado do Paraná.
A base de dados consultada pertence ao Sistema Nacional de Informações Criminais (SINIC), sistema que centraliza as informações criminais no âmbito da Polícia Federal. O SINIC é o único sistema que registra os indiciados, é acessado e alimentado com informações processuais pela Justiça, e embasa as folhas e certidões de antecedentes criminais.
Salários
O sindicato também reclama do congelamento salarial da categoria. Segundo eles, não há reajustes há sete anos. Sem a correção da inflação, o Governo Federal já retirou quase a metade do poder aquisitivo dos agentes federais. Somente no ano passado, mais de 230 agentes federais deixaram o órgão.
A Polícia Federal afirmou que não irá fazer qualquer declaração sobre a greve. Já o Ministério do Planejamento afirmou que nos dois últimos anos, a categoria não aceitou a proposta de reajuste de 15,8% e não fechou acordo com o governo.