Cães de rua serão controlados por chips

O número de animais soltos nas ruas de Campo Mourão é um problema antigo. Várias alternativas já foram pensadas – incluindo a proposta de um senso animal – mas muitas esbarram em um problema: menos de 10% deles realmente não tem um lar. A maioria possui donos que não tomam os devidos cuidados com o animal. Para fiscalizar os proprietários negligentes, em breve o município terá a tecnologia como aliada. Foram comprados mil microchips que serão implantados nos cachorros castrados por meio da parceria com as associações de proteção animal.

O programa para controle dos animais errantes desenvolvido pelo município, chamado ‘É o bicho’, foi reativado em agosto de 2012, mas esta é a primeira vez que é feita a compra dos equipamentos. O Médico Veterinário da secretaria de Agricultura e Meio Ambiente (Seama), Rafael Pallone Favretto, explicou que essa é a terceira parte de um tripé de controle. O programa funciona por meio de uma tríade, que é a conscientização, castração e fiscalização. Até o momento, apenas os dois primeiros estavam sendo realizados, a educação para a guarda consciente no quinto ano das escolas municipais e, com poucos recursos e de forma esporádica, a castração dos animais de rua.

Favretto comentou que o microchip é a forma mais segura e inviolável de identificar o animal para que a prefeitura consiga ter o controle necessário. Se o animal está na rua e é de um proprietário, o proprietário vai ser penalizado, conta. Neste primeiro momento, como foram adquiridos apenas mil chips e duas leitoras – ao custo de R$ 12.300,00 –, a proposta é implantar nos mesmos animais selecionados pela entidade. Nem todos os animais castrados serão de rua, cachorros de famílias de baixa renda também são beneficiados, ressalta ao explicar que este é um começo, mas que se der certo, a proposta é que o município faça a implantação em todos os animais do canil e de famílias de baixa renda. Para os demais animais, a ideia é trabalhar em conjunto com as clínicas particulares.

O veterinário explicou que esse trabalho de microchipagem também é oferecido por elas. As clínicas veterinárias particulares tem que trabalhar em conjunto também, incentivando quem não se encaixa em baixa renda a ir pra clínica veterinária, frisa. Ele revela que o preço de implantação nos animais pode variar de acordo com a mão de obra veterinária, mas que a base de custo do microchip é de R$ 15,00, alguns vindo inclusive com o aplicador. Além de ser uma forma de controle sobre os animais errantes, a tecnologia pode ajudar a encontrar cachorros domésticos que fogem ou se perdem dos donos. Uma série de informações pode ser colocada no chip, como endereço, telefone, e-mail e alguns até foto. É uma coisa que vale a pena o custo.

Grão de Arroz

O veterinário explicou que o chip é do tamanho de um grão de arroz e o aplicar é semelhante a uma seringa. A implantação pode acontecer com o animal acordado – não sendo necessário sedativos ou anestesia. Inocula embaixo da pele e está feito. Não precisa trocar porque o chip é feito de um material chamado biovidro, afirma.

Este material não tem bateria e só funciona quando a leitora está recolhendo os dados, em todo o restante do tempo ele fica em estado de dormência. Dura mais ou menos 100 anos. Os chips devem começar a ser implantados em breve, pois as duas condições burocráticas já foram vencidas que era a liberação da subvenção para as castrações e a aquisição dos chips.

Tríade

As duas outras bases do programa já vinham sendo desenvolvidas. Nas escolas, profissionais da Seama realizam rotineiramente palestras informativas com a distribuição de panfletos educativos sobre a guarda consciente. Neles, as crianças do 5º ano da rede municipal aprendem sobre como cuidar do cão e o que todos devem saber antes de adquirir ou adotar.

As castrações são feitas de forma terceirizada, ou seja, uma subvenção é oferecida para a Associação Protetora e eles fazem as operações com veterinários credenciados. O objetivo é impedir que os animais errantes ou de famílias de baixa renda procriem – ampliando o número de cães abandonados.