Paula Fernandes/Tribuna do Interior
O caminhão saiu com os cilindros de oxigênio vazios, mas não tem previsão para conseguir voltar com eles cheios
Com a paralisação dos caminhoneiros, o abastecimento de oxigênio de Campo Mourão está perto do fim. A sócia de uma empresa de revenda de gases do município, Verginia Tescaro, afirma que são consumidos cerca de 100 cilindros de 10 m³ de oxigênio por semana pelas empresas da região, mas que, com a falta, a venda está restrita. Estamos abastecendo só para atendimento de saúde, explica.
A maior preocupação é porque o estoque é suficiente apenas para hoje (27). Temos poucos na empresa e alguns caminhões ainda têm carga, mas deve durar no máximo até sexta-feira, pontua. Verginia conta que um dos caminhões está parado em um bloqueio próximo a Reserva, na região dos Campos Gerais. Na tarde de ontem (26), o caminhão saiu da empresa carregado de cilindros vazios, mas não há previsão para que consiga voltar com eles carregados.
O transporte escolar de Campo Mourão também está com os dias contados. Segundo o proprietário da empresa responsável pelo transporte, Darci Legnani, o óleo diesel estocado é suficiente para mais três dias. Nós temos ainda a reserva, mas dependemos de receber o produto até quarta da semana que vem, considera. Mas, enquanto houver óleo diesel, o trabalho será mantido. Vamos torcer para que consigamos abastecer, que não porque as crianças não merecem isso, complementa Legnani.
No município, entretanto, as atividades continuam regularmente. O coordenador geral de Campo Mourão, Carlos Garcia, afirma que, por enquanto, os serviços públicos do município não são afetados pela paralisação. Nosso combustível é abastecido na rede de postos, mas estamos abastecendo normalmente, assegura. O estoque de merenda e medicamentos do município também está regular.
aúde
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) está, por enquanto, com atendimento normal em todas as bases da área de Campo Mourão, garante a coordenadora da região, Maria Claudia Poliseli Klein. Entramos em contato com as prefeituras, que têm depósito para abastecer seus veículos, e vão nos fornecer até terminar a paralisação, assegura. Segundo Maria Claudia, a ajuda das prefeituras tem sido importante.
Outras medidas têm sido tomadas para evitar gastos. A regulação está filtrando melhor os casos, garante. Dessa maneira, quando percebe que é possível esperar, ou a regulação pede para a família levar o paciente com carro próprio até o local de atendimento ou que retorne a ligação, caso não haja melhora. Não estamos deixando de atender, mas estamos atendendo apenas casos mais graves, que não têm como esperar, para não termos que parar totalmente, completa. Além disso, as transferências são só feitas em último caso.
Na Santa Casa, desde ontem alguns medicamentos estão em falta, segundo a responsável pelo Departamento de Compras, Solange Mantuan. Fiz o pedido na terça e só uma empresa de medicamentos conseguiu fazer a entrega, diz. Segundo Solange, as outras estão paradas no bloqueio. Alguns medicamentos devem faltar para o atendimento, complementa.
Na Secretaria de Saúde, no entanto, apenas os serviços burocráticos estão que utilizam veículos estão atrasados, assegura o secretário Marcio Alencar. O que é possível deixar para depois, estamos deixando, afirma. Reduzimos as saídas para não ficar sem combustível e não ter risco de atendimento direto com a população, garante Alencar. O secretário lembra, ainda, que o complemento alimentar destinado a alguns pacientes também não chegou, porque o caminhão está parado em um bloqueio. Contudo, assegura Alencar, não é uma situação grave.