Apesar da pressão de deputados tucanos favoráveis à apresentação imediata de um pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o presidente do partido, Aécio Neves (MG), convenceu a bancada a aguardar mais uma semana para discutir o tema com outras legendas.
O PSDB da Câmara prometeu apresentar um pedido de impedimento até esta quarta (29), mesmo sem um parecer jurídico solicitado pela sigla.
Aécio convenceu os tucanos a esperarem uma reunião, marcada para a próxima quarta (6), com a presença de líderes e presidentes de quatro partidos da oposição, para discutir o impeachment.
Após o apelo do senador, os deputados recuaram e disseram que vão esperar o encontro da semana que vem.
“A ideia é que o movimento seja único e mais forte. O nosso receio é que se torne algo pedido apenas pela bancada”, disse o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP).
Na reunião, PSDB, DEM, PPS e SD pretendem definir se vão entrar com o pedido de impeachment e quando isso deve ocorrer.
“Com serenidade, vamos definir os passos que daremos a seguir. Não deixaremos impunes os crimes cometidos pelo atual governo, mas definiremos as etapas que serão tomadas por nós”, afirmou Aécio nesta terça-feira (28).
“Os partidos de oposição farão isso de forma conjunta. Com a coragem necessária, mas com a responsabilidade devida”, concluiu.
Na Câmara, o PPS é o partido com maior resistência ao pedido de impeachment. A sigla negocia sua fusão com o PSB, ex-aliado de Dilma, que não se posicionou publicamente sobre o assunto.
Apesar de se declarar “independente”, o PSB tem membros afinados com o Planalto.
O líder do PPS, Rubens Bueno (PR), já reconheceu que a sigla age com maior cautela porque negocia a fusão.
Na contramão, o Solidariedade encabeça o movimento pela saída da presidente.
O presidente do partido, Paulinho da Força (SP), quer criar uma frente na Câmara em defesa do impeachment. Ele vai procurar partidos como PV, PSC e o PSB para aderir ao movimento.
Cautela
Dentro do PSDB, enquanto a bancada da Câmara quer agilizar o pedido de impeachment, os senadores pedem cautela e defendem que o partido reúna mais elementos contra a presidente antes de entrar com um processo.
O PSDB encomendou um parecer ao jurista Miguel Reale Júnior, que não tem prazo para entregá-lo.
Os deputados tucanos defendiam que o partido não esperasse mais pelo parecer e que fizesse o pedido baseado na suposta responsabilidade de Dilma sobre a corrupção na Petrobras e as manobras do Tesouro Nacional para fechar as contas públicas.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) também se declarou contrário ao pedido neste momento, posição seguida por senadores como José Serra (SP) e Aloysio Nunes Ferreira (SP).
Aécio chegou a defender maior rapidez no pedido de impeachment, mas recuou depois das manifestações de preocupação com uma eventual fragilidade jurídica no pedido de investigações.