MP ajuíza ação contra prefeito por suposto abuso de poder

O promotor de justiça da Comarca de Engenheiro Beltrão, José Pereira Pio de Abreu Neto ajuizou ação civil pública por improbidade administrativa contra o prefeito do município, Elias Lima (PSD), por suposto abuso de poder contra o ex-comandante do destacamento da Polícia Militar (PM) da cidade, sargento Rogério da Silva Quichaba, em 2009. O prefeito nega a acusação.

Neto informou à TRIBUNA que o abuso contra o policial teria ocorrido no primeiro ano do primeiro mandato de Lima em 2009. Segundo o promotor, o gestor municipal influiu politicamente para que Quichaba fosse transferido da cidade. A denúncia foi levada a conhecimento do MP pelo próprio policial.

Segundo o promotor, a suposta perseguição ao ex-comandante do destacamento da PM no município durou alguns meses até sua transferência para outra cidade, no final de 2009. “O prefeito usou de poder político”, afirmou Neto. Conforme a promotoria, os serviços prestados pelo sargento à comunidade eram ‘excelentes’.  “Nós tínhamos o trabalho dele como exemplar, era muito bem avaliado pela população. Era um excelente profissional, um policial de elite”, sustentou Neto. Segundo ele, a transferência de Quichaba do município gerou revolta na comunidade.

Neto informou ainda à reportagem que depoimentos de oficias graduados da Polícia Militar do município confirmam o abuso sofrido pelo sargento, classificado pelo promotor de ‘ingerência política’. “Isso configura abuso de poder e descumprimento dos princípios que norteiam a administração pública. Por isso adotamos essa medida”, ressaltou.

Caso Lima seja condenado, ele pode perder o cargo, ter suspensão dos direitos políticos, pagamento de multa, entre outras penalidades elencadas na lei de improbidade administrativa.

Prefeito nega abuso e se diz “parceiro” da polícia

À TRIBUNA, Lima negou as acusações contra ele. O prefeito disse que não usou de abuso de poder contra o policial e disse que é ‘parceiro’ das polícias Civil e Militar. “Estou tranquilo, nunca houve abuso de poder. O que houve foram problemas pessoais dele com a sociedade onde ele procurou auxílio em todo mundo para poder se segurar no cargo”, argumentou. Ele acrescentou que ‘não moveu uma palha’ contra o policial. “Não fiz nada”, ressaltou.

Walter Pereira/Tribuna do Interior
Lima: Sempre fomos parceiros da Polícia Militar

O gestor classificou a denúncia de Quichaba como ‘intriga política’. “Eu acho que polícia não deveria se meter nisso”, falou, se referindo que o policial buscou auxílio a políticos da cidade para permanecer nos destacamento. Segundo o prefeito, no processo há um ofício anexado do presidente de um partido da cidade solicitando ao Ministério Público a permanência do sargento na cidade. “Eu jamais fui atrás de alguém pedir a ‘cabeça’ dele”, argumentou.

Segundo o prefeito, o que houve entre ele e Quichaba foi um problema administrativo. “O telefone do módulo policial que é pago pela prefeitura e era usado durante a noite toda para fins particulares”, disse, ao informar que comunicou o policial sobre a situação.

“Parceiro”

Lima ressaltou que a prefeitura é parceira da Polícia Militar e Civil  com ajuda de custos às corporações através do Conselho de Segurança. “A prefeitura ajuda a manter a Polícia Militar e Civil no município. Sempre fomos parceiros”, emendou. O prefeito está recorrendo da ação.