PM cobra sinalização para multar caminhões do centro

Apesar de existir uma lei que proíbe o tráfego de caminhões na área central de Campo Mourão tem sido comum esse tipo de veículo circular livremente pelas vias apertadas do centro, subindo sobre meio-fios e destruindo canteiros de flores por falta de espaço nas ruas, que não são projetadas para esse meio de transporte. A população cobra a fiscalização, mas a Polícia Militar alega que não pode notificar os infratores porque a prefeitura não instalou placas de sinalização orientando os condutores sobre a proibição. “Não adianta multar porque o motorista do caminhão vai recorrer e ganha porque a sinalização é insuficiente ou inexistente na cidade”, dispara o aspirante Ulisses Gomes, comandante do Pelotão de Trânsito do 11º Batalhão da Polícia Militar.

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Bitrem destruiu canteiro central na Rua Brasil

Gomes destaca alguns pontos na Perimetral Tancredo Neves, que em sua opinião deveriam receber a sinalização para evitar o problema. “Não existem placas indicando que o caminhoneiro não pode subir pelas ruas Harrison José Borges e São José, quando está passando pela Tancredo Neves. Se o motorista sobe por ali, atravessa toda a cidade sem encontrar placas. E ai, como é que os agentes de trânsito vão poder notificar e multar?”, questiona o aspirante, citando, inclusive o artigo 90 do Código de Trânsito Brasileiro. “Qualquer autuação que a polícia faz precisa estar amparada pela lei. O artigo 90 do Código de Trânsito Brasileiro diz que não serão aplicadas as sanções previstas neste código por inobservância da sinalização quando esta for insuficiente ou incorreta. Por isso essa situação precisa ser revista em Campo Mourão”, esclarece.

Disposta a colaborar com a solução do impasse, os próprios policiais do Peltran fotografaram os trechos onde faltam as placas de sinalização e o material será encaminhado diretamente à Diretran. “Preparamos toda uma documentação para encaminhar ao Diretran na esperança de que sejam tomadas as devidas providências. Caso a sinalização seja providenciada, nossos agentes poderão fazer as notificações que se fazem necessárias.”

Para Gomes, seria importante o município delimitar uma área impedindo o acesso de caminhões no perímetro urbano. “Da nossa parte até podemos lançar a multa, mas o motorista não será penalizado porque o município não dota a cidade da sinalização necessária para informá-lo sobre o impedimento de acesso ao centro da cidade com seu caminhão”, justifica.

O diretor da Diretoria de Trânsito (Diretran) da prefeitura, Nelson João Casarolli rebate, afirmando que existem placas de sinalização nas principais vias de acesso ao centro da cidade. Para ele, o problema não está nos acessos que os motoristas de caminhões encontram pela Perimetral Tancredo Neves. “O principal problema são os caminhões que entram pela Capitão Indio Bandeira, Irmãos Pereira e Manoel Mendes de Camargo, passando pelo centro e destruindo tudo. E na entrada dessas avenidas existe sinalização sim. Cada um precisa fazer a sua parte, pois eu mesmo acompanhei a instalação da sinalização. Na Perimetral tem caminhões que sobem pela Harrison José Borges, mas precisa ter um acesso para eles também”, entende Casarolli.

O chefe da Diretran cobra que a PM faça as multas, pois segundo ele, quem vai julgar os infratores é o próprio órgão municipal. “O motorista de caminhão pode entrar com recurso que não vai ganhar, pois sou quem julga. O que gostaria de saber é quantos caminhões foram multados em junho, por exemplo, apenas isso. Acho que cada um precisa fazer a sua parte. O que não podemos é colocar uma placa em cada quadra.” Casarolli reclama que há poucos dias um bitrem destruiu o canteiro central no cruzamento da Avenida Capitão Índio Bandeira com a Rua Brasil. “É incrível que essas coisas acontecem em Campo Mourão”, completa.

Enquanto o impasse continua entre as autoridades do trânsito, a cidade já registrou até atropelamento com morte envolvendo esse tipo de veículo na área central, sem falar em casos de caminhões que enroscam em fiação elétrica por trafegarem em locais impróprios.