Câmara aprova lei em homenagem a Analis Ohara

A Câmara Municipal de Campo Mourão aprovou nessa terça-feira (12), em 2º turno de votação, por unanimidade dos votos, a Lei nº 77/2017, que nomeia a concha acústica do Parque do Lago de Analis Ohara. A lei segue agora para sanção do prefeito Tauillo Tezelli (PPS). Analis Costa Ohara morreu no dia 29 de julho, vítima de câncer no cérebro. Ela era amante e entusiasta da arte e cultura.

Além de Turismóloga, Analis era também atriz amadora e agitadora cultural. Ela era apaixonada pela música, dança e o circo. Não será apenas uma homenagem, mas também um registro histórico do que ela fez e um marco da cultura e da arte, muito bem representadas por ela, comentou ontem o vereador, Cícero Pereira de Souza (PT), autor do projeto de lei, em entrevista à TRIBUNA.

Conforme Souza, o Parque do Lago era um dos locais preferidos de Analis, que lá promoveu diversas apresentações artísticas, através da Lei Municipal de Incentivo a Cultura. Ela foi uma menina que protagonizou vários eventos na concha, e um dos últimos, aprovado pela lei de incentivo à cultura, foi o ‘Domingo no Lago’, que consistia em apresentações de circo, histórias, músicas, entre outros, lembrou o vereador.

Segundo Souza, o projeto foi muito bem recebido pelos demais vereadores e comissões permanentes da Casa. Ele apenas lamentou o fato de Analis não ter recebido a homenagem em vida. Não queríamos estar fazendo após ela falecer, queríamos prestar em vida, porém o destino quis desta forma, acrescentou.

Quem era Analis

Em uma quarta-feira na cidade de Joinville (SC), em 10 de março de 1993, nasceu Analis Costa Ohara. Além das terras catarinenses, a menina ruiva, de carisma insofismável, passou infância e adolescência no interior paulista, na praia de Matinhos e em Curitiba.

Precoce, aos dez anos, na cidade Araçatuba (SP) onde morava, Analis ganhou um prêmio internacional promovido pelo Laboratório de Estudos da Criança do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo ao escrever sobre uma redação sobre o tema “Crescer sem Palmada”. O feito foi comemorado pela cidade e Analis foi homenageada, sendo recebida no gabinete do então prefeito Jorge Malully Neto.

No final de 2011, deixou a capital paranaense para se radicar em Campo Mourão. Tão logo chegou na cidade, Analis se integrou rapidamente ao cenário cultural. Já no inicio de 2012, foi aluna da Escola Municipal de Circo e integrou a Trupê de Circo da Fundação Cultural de Campo Mourão. participando de defiles e apresentações.

Polivalente, se unia ainda a grupos teatrais locais e participava ativamente de iniciativas culturais desenvolvidas na cidade, dividindo seu tempo com o curso superior de Turismo e Meio Ambiente na Universidade Estadual do Paraná (Unespar),onde estudava sua outra paixão: a Natureza. Em outubro de 2012, subiu ao palco em Campo Mourão, pela primeira vez como atriz, para encenar a peça “Dos Muros da Cidade, Eu Vi Seus Olhos”, dirigida por Carlos Soares. A apresentação ocorreu na Biblioteca Municipal Egydio Martello.

Em 2013, Analis foi nomeada como assessora de gabinete na prefeitura municipal. Colocada à disposição da Fundacam, ela desenvolveu vários trabalhos voltados para o público infantil do espaço público, incluindo leituras de livros e oficinas de Tangram – um jogo de quebra-cabeça chinês que proporciona o aprendizado do raciocínio lógico, da criatividade e atenção, promovendo a integração entre os alunos, a competitividade, a objetividade, o dinamismo, o trabalho em equipe, o raciocínio e habilidades como a paciência e a concentração.

No mesmo ano, Analis atuou como atriz no tradicional Auto da Paixão de Cristo realizado em Campo Mourão, representando um Anjo. Ela voltou ao mesmo palco nos anos seguintes. Em 2014, desempenhou o papel de Maria Madalena e, em 2015, representou a Tentação.

Nos palcos do Teatro Municipal, na UTFPR, no Sesi e no Festival de Teatro de Campo Mourão a veia artística de Analis pulsava forte. Entre 2012 e 2015, ela esteve presente em várias peças: “Politiko´s” – da Cia Zetetikós de Teatro -, “Entre os Trilhos do Trem” – do Projeto Embrião – “Eu Chovo,Tu Choves, Ele Chove”- do Núcleo 5 de Teatro.

Em 2015, Analis desenvolveu um projeto de apresentações culturais para ser realizado na Concha Acústica do Parque do Lago, envolvendo grupos de música, dança e teatro. O projeto “Domingo no Lago” foi aprovado pelo Fepac (Fundo Especial de Promoção das Atividades Culturais) e ocorreu durante os vários domingos durante o ano de 2015, levando cultura aos frequentadores do Parque do Lago e valorizando o trabalho de artistas locais.

Meio Ambiente

As paixões de Analis eram vividas intensamente. Além da área cultural, seu coração pulsava forte quando o assunto era a preservação do Meio Ambiente. A menina que não gostava de fogueiras durante o luau na praia – “para não agredir o meio ambiente” – se preparava profissionalmente para lutar na defesa da Natureza.

Durante o curso de Turismo e Meio Ambiente na Unespar – que seria concluído no ano em que teve diagnosticada a doença – Analis desenvolveu vários estudos para garantir a sustentabilidade de espaços públicos de preservação ao Meio Ambiente.

No trabalho de conclusão de estágio na Secretaria Municipal de Meio Ambiente, ela apresentou um projeto abordando aspectos importantes para o desenvolvimento sustentável do Parque do Lago, através de iniciativas turísticas e culturais. Como bolsista da Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Estado do Paraná ela apresentou um trabalho, durante sua Iniciação Científica na Unespar, analisando os danos ambientais praticados pelos visitantes do Parque Ingá, em Maringá, e propondo iniciativas para garantir a sustentabilidade do local. Em 2016, como estagiária da Secretaria De Estado do Meio Ambiente, Analis permaneceu durante três meses recolhendo estatísticas sobre o impacto turístico na Ilha do Mel. Os dados estavam sendo catalogados e seriam base de um novo projeto da jovem.

Em março de 2016, porém, Analis teve diagnosticado um tumor cerebral de baixo grau. Submetida à uma cirurgia em Maringá, teve uma melhora significativa. No entanto, voltou a apresentar sintomas no final de outubro. Levada ao Rio de Janeiro, passou por várias cirurgias no Instituto Nacional do Câncer (INCA). Também foi submetida a quimioterapia e radioterapia. Em abril deste ano, após constatação de um caso irreversível, teve atendido seu desejo de voltar à terra que adotou como sua. Uma UTI aérea partiu do aeroporto Santos Dumont com destino direto à Campo Mourão. Analis passou os últimos ao lado da família: o jornalista Carlos Ohara, da mãe Cassiandra e do irmão Gabriel. Com amigos, visitou a usina, o Parque do Lago e o Teatro Municipal, seus locais preferidos.

O Glioblastoma Multiforme, um tumor cerebral de alta agressividade, sem causa definida e incurável pela medicina atual, foi a causa de sua morte em 29 de julho. Sua morte foi profundamente lamentada no setor cultural da cidade e foi pauta de reportagens em vários órgãos de imprensa – locais, estadual e até mesmo nacional, como matéria publicada pela Folha de São Paulo, que lembrou “a menina amante da natureza e agitadora cultural”.