Escorpião amarelo se prolifera rápido e preocupa na região

De janeiro até agora foram capturados cerca de 250 escorpiões na região.

Em menos de um mês, duas crianças morreram picadas por escorpiões amarelos em Cianorte e Jussara, um sinal claro de alerta para o risco que o pequeno animal representa ao ser humano principalmente para os menores de 12 anos. Na região de Campo Mourão, várias cidades estão infestadas pelo aracnídeo e a 11ª Regional de Saúde tem mobilizado equipes para rastrear os locais de maior risco. Onde há registros da presença do bicho é feita busca ativa para tentar capturar o máximo possível. A captura é importante porque ele se reproduz sozinho, gerando de 25 a 26 novos bichinhos de uma só vez a cada cinco meses. E os que nascem já começam a se reproduzir também a partir de cinco meses, imagina o que isso representa no período de um ou dois anos. Por isso quando capturamos dois ou três já é motivo de comemoração, afirma Antonio Carlos de Araújo, agente de saúde da Vigilância Sanitária da 11ª Regional de Saúde. De janeiro até agora foram capturados cerca de 250 na região.

As cidades que mais preocupam na região da Comcam são Quinta do Sol, onde os agentes da Vigilância Sanitária encontraram em um único dia mais de 60 escorpiões amarelos, Engenheiro Beltrão, Terra Boa, Goioerê, Farol, Boa Esperança e Moreira Sales. Campo Mourão também monitora o Jardim Copacabana, a entrada do Lar Paraná, próximo à estação rodoviária, Jardim Santa Cruz e as imediações do Hiper Muffato, onde apareceram algumas espécies. Em Quinta do Sol foram tantos escorpiões juntos que foi preciso demolir uma casa, revela Araújo.

A orientação da 11ª Regional de Saúde é para que ao encontrar qualquer tipo de escorpião (preto, amarelo, branco, ou outros) a pessoa o capture, com todo cuidado para não ser picado e o encaminhe para a secretária de Saúde do município. Se não conseguir capturar, o morador deve acionar a Vigilância Sanitária. Temos uma equipe na Regional de Saúde que vai aos municípios onde está ocorrendo o aparecimento desses bichos para fazer a busca ativa. Além disso, todas as cidades da região contam com agentes capacitados por meio de um curso que foi oferecido na Regional de Saúde no início deste ano, explica.

Agentes de endemias de combate à dengue nos municípios da região também estão perguntando aos moradores durante as visitas se já houve aparecimento de escorpiões em casa, tudo para ajudar no combate desses animais. Em Engenheiro Beltrão tem aparecido muitos escorpiões próximo ao ginásio de esportes e no Parque Industrial. Também foram encontrados oito no distrito de Martinópolis, em Farol, enquanto Goioerê está infestado, com muitos aparecendo nos jardins Cidade Alta, Curitiba, Vila Cadeias e no centro da cidade, alerta.

Todos os escorpiões e outros animais peçonhentos, como aranhas, cobras e outros que chegam à Regional de Saúde são encaminhados para o Laboratório de Zoonoses em Curitiba, onde são identificados por espécies. Independente se a pessoa encontrou o preto, amarelo ou branco, pode nos acionar ou mandar para a Vigilância Sanitária para que possamos mandar para Curitiba. Segundo Araujo, nos municípios onde há maior infestação de escorpiões as buscas ativas acontecem a cada cinco meses, por conta do período de procriação.

Prevenção

Se tratando da terceira espécie de escorpião mais perigosa do mundo (amarela), é preciso saber como se prevenir. As principais vítimas, e as que correm o maior risco, são as crianças de até 12 anos e os idosos. Sendo assim, a recomendação é que os jovens utilizem calçados nos jardins e que o ambiente de casa esteja sempre limpo e livre de sujeira. Também deve-se evitar deixar louça na pia da cozinha e o lixo do banheiro deve ser retirado antes que ele acumule. Ralos e pias também devem ser tampados. Agindo assim o morador diminui a presença de baratas, que é a principal fonte de alimentação dos escorpiões e grande responsável por seu aparecimento nas residências.

Em todo o Paraná, de janeiro até o início do mês passado, foram registrados 771 casos de picadas por escorpiões, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). No ano passado, foram 1.740 casos de acidentes no estado e duas mortes confirmadas. É importante lembrar que quanto mais próximo um local for de um cemitério, terreno baldio, ou riacho, maior é o risco da presença desse aracnídeo. Nos quintais é preciso evitar empilhamento de madeiras velhas e de telhas também.