Tribuna do Interior

Prefeitura recolhe livros de biblioteca e causa polêmica

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Um acervo, contendo cerca de três mil livros, foi recolhido no mês passado pela prefeitura de Campo Mourão de uma biblioteca instalada na comunidade Barreiro das Frutas. A ação deixou a presidente da Associação de Moradores do Barreiro das Frutas, Eli de Oliveira, indignada. Ela alega que os livros foram retirados do local sem que a população fosse consultada.

            “Primeiro deveriam ter realizado uma reunião com os moradores. A população lutou tanto para montar está biblioteca.” A maioria dos livros foi arrecadado pela própria comunidade em uma campanha realizada há cerca de dois anos. “Nem perguntaram o que os moradores achavam. Foram retirando os livros e acabaram com a biblioteca”, dispara.

            Eli diz que a retirada dos livros ocorreu no dia 18 de dezembro, mas ficou sabendo da ação apenas no último sábado. Mesmo sendo presidente do local, Eli já não mora na comunidade há cerca de oito meses. “No tempo que eu morei aqui a biblioteca era usada com frequência. Foi instalada com o objetivo de que nossos filhos não precisassem ir ate a cidade para fazer as pesquisas escolares. Tinha tudo aqui”, pondera. A comunidade do Barreiro das Frutas fica a aproximadamente 12 quilômetros de distância da cidade.

            Ela diz ainda que a comunidade quer os livros de volta, ou pelo menos que seja realizada uma reunião entre a prefeitura e os moradores. “Precisamos de uma satisfação. Pelo menos isso, pois também precisaremos dar uma satisfação para as pessoas que doaram os livros. Podemos doar os livros para a comunidade desde que haja uma discussão a respeito”, assinala Eli.

           

Outro lado

            A secretária municipal da Cultura, Sonia Singer, explica que os livros foram recolhidos porque estavam estragando e porque não estavam sendo utilizados pela população. “Chegaram várias denúncias de que o material estava abandonado e sem uso. Fomos até o local e constatamos os livros em condição de abandono”, defende ela.

            Segundo Sonia, no local havia sujeira de ratos e vestígios de cupins. “Os livros foram recolhidos e não retirados. Pode voltar para comunidade desde que haja responsabilidade”, acrescenta.

            Sonia garante que será realizada uma reunião com os moradores da comunidade para definir o destino dos livros.  “É um acervo riquíssimo que não dava para continuar sendo comido por ratos e sendo estragados por goteiras que existem em alguns locais da sala. Tem que haver responsabilidade. Qualquer pessoa que faz a doação de um livro quer que o material seja bem cuidado”, finaliza.

 

Por Antonio Marcio, da Redação

Última atualização ( Ter, 04 de Maio de 2010 11:37 )  

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